A secção de vídeo do Labjovem 2013 revelou a manutenção do nível qualitativo das edição anterior, o que, por um lado, deixou o júri agradado, por outro declara-se expectante quanto à evolução técnica e artística desta categoria em edições futuras. A diversidade de géneros está bem presente nas obras seleccionadas, demonstrando que a contemporaneidade, a singularidade e a diversidade da cultura insular estão espelhadas nestes jovens autores.

Bruno Sousa

“HERBERTO”Bruno Sousa

Bruno Sousa nasceu em 1978 em S. Miguel. Aos 18 anos partiu para Lisboa onde veio a estudar Belas Artes e onde fica a viver. Em 2011 avançou para uma obra audiovisual de maior investimento que culmina no documentário Herberto, de 2013. Nesse mesmo ano, dá início ao projecto Azores Fixed.

"Herberto" é um filme que se destaca dos outros projectos seleccionados pela sua solidez narrativa e técnica. Uma história de vida que extravaza a realidade das ilhas, mostrando a voz de um novo autor açoreano. É um olhar sensível, inteligente e íntimo sobre um nonagenário activo, a sua esposa dedicada e uma fábrica improvável.

Sérgio Peixoto

“O CUBO BRANCO”Sérgio Peixoto

Sérgio Alexandre Teves Peixoto nasceu a 31 de outubro de 1980 e é natural de São José, Ponta Delgada. É um artista generalista de 3D, Web Developer, e mais recentemente técnico de marketing online.

Sendo um autodidata por natureza, desde cedo aproveitou a massificação da internet para focalizar-se nas áreas que lhe suscitavam mais interesse, pois no local onde vivia era impossível a aprendizagem dessas disciplinas.

Dai surgiram várias oportunidades entre elas a colaboração com José de Medeiros no espetáculo “As 7 Viagens de Jeremias Garajau”, onde criou propositadamente várias cenas em 3D, sendo a mais notória a caravela a atravessar o mar tempestuoso.

Depois surgiu a oportunidade de trabalhar com a banda Alma Rasgada, para a qual criou vários vídeos inovadores para interligar ao espectáculo ao vivo, sempre recorrendo às novas tecnologias e inovação. Voltou a trabalhar com a banda para um espetáculo na Semana do Mar 2014 (Faial).

Mas o seu grande objetivo é a realização de uma serie televisiva infantil de cariz didáctico, ao estilo da Rua Sésamo, mas em 3D e totalmente produzida nos Açores. E embora já tenha uma grande parte dos “assets” da série pronta, assim como apoio de várias pessoas de renome da cultura Açoriana, ainda tem um enorme obstáculo pela frente no que diz respeito a apoios financeiros na área dos audiovisuais.

"O cubo branco" é uma exploração visual da procura do que é ser orgânico, que recorre à animação 3D para construir elementos abstractos que representam essa busca. Enquadrado naquilo que podemos apelidar de ‹‹filme experimental››, não poderemos, no entanto, deixar de lhe apontar algumas deficiências no tocante à unidade estética e narrativa.

João Ornelas e Valentim Toste

“DESASSOSSEGO”João Ornelas e Valentim Toste

João Ornelas
Nascido a 1 de Fevereiro de 1991 em Angra do Heroísmo, João Ornelas é estudante finalista de Design de Comunicação na Faculdade de Belas-Artes (Universidade de Lisboa).

Valentim Toste
Nasceu a 23 de Agosto de 1992 em São José, Ponta Delgada. Frequentou o curso de Artes Visuais na E.S.A.Q. e em 2010 ficou colocado na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, no curso de Design de Comunicação.

"Desassossego" é um filme bem estruturado e fundamentado, baseado em excertos do Livro do Desassossego de Bernardo Soares/Fernando Pessoa. Realçam-se os grafismos e o som, assim como a representação visual do conceito de privação do sono.

Francisco Rosas

“SER ILHÉU”Francisco Rosas

Francisco Rosas nasceu em 14-05-1991 em Alvalade e licenciou-se em Cinema pela Universidade da Beira Interior, em 2012. Como trabalho final de curso realizou a sua primeira curta-metragem, “Quimera”, apresentada em 2012 no festival Bululus e numa sessão organizada pelo 9500 Cineclube. Foi vencedor num concurso nacional organizado pela Azores FilmC ommission, no qual resulta o filme “Ser Ilhéu” realizado no presente ano de 2013.

"Ser Ilhéu" capta a solidão na velhice de um modo consistente, próximo e corajoso, denotando alguma deficiência na direcção de actores e na montagem da versão visionada.

Luís Bicudo

“O FUNERAL ARTÍSTICO DO PROJECCIONISTA”Luís Bicudo

Luís Bicudo, 29, é natural do Faial, Açores. Licenciou-se em Cinema, na ESTC, em 2010.

Enquanto realizador, foi distinguido por cinco vezes, com dois dos seus filmes, “Fotografia da Alma” e “A Banana do Pico”. “Baleias e Baleeiros” é a sua primeira longa-metragem documental, que realizou em 2013.

"O funeral artístico do projeccionista" é um documentário-manifesto sobre um projeccionista e a sua relação material com a fisicalidade da película. O realizador capta essa relação com um ritmo, um tom e uma precisão certos, através das acções filmadas que complementam concentricamente o seu discurso.

Sara Azad

“SUICÍDIO”Sara Azad

Sara Azad nasceu a 1990, em Ponta Delgada. Licenciou-se em 2011 em Design de Comunicação e Produção Audiovisual e encontra-se neste momento a frequentar o mestrado em Comunicação Audiovisual, com especificação em Cinema Documental, na ESMAE, no Porto. Com grande interesse pelo documental, é um dos seus objetivos cruzar esta área com a da animação, como forma criativa de explorar as várias questões e situações do mundo.

"Suicídio" é um delicado trabalho de animação e composição e que enfrenta um tema aparentemente difícil. Da atitude resulta uma obra singular.